06) O Tesouro da Vida Autêntica: Reflexões em Ortega y Gasset e Paulo Freire

Mauro Sérgio de Carvalho Tomaz

Resumo


Acreditamos ser possível tecer algumas aproximações entre o conceito de autenticidade no pensamento do filósofo espanhol José Ortega y Gasset e no pensamento político-pedagógico do educador brasileiro Paulo Freire. O primeiro compreende que vida autêntica está relacionada a dois aspectos: individual e social. No primeiro, há o que o espanhol denomina de núcleo insubornável: parcela inalienável e intransferível de cada um. No segundo, a autenticidade está relacionada ao que Ortega y Gasset intitula altura do tempo. Com este termo, ele compreende uma vida que é vivida a partir do ambiente cultural que se organiza espaço-temporalmente, permitindo ao homem encontrar-se em um contexto específico, como herdeiro de uma história construída e compartilhada intersubjetivamente. Em Paulo Freire, a autenticidade do homem é disposição necessária para que a educação seja libertadora e não opressora, já que ela, em sua forma de ver, é instrumento de mudança, portanto, não tem valor inerente. Sendo assim, Paulo Freire acredita que o homem só vive autenticamente se está integrado à sua realidade, à sua circunstância, e não só se integra nela como nela age, modificando-a e transformando-a. Vive, portanto, autenticamente o sujeito que se reconhece oprimido, que se engaja na luta pela libertação de seus companheiros e contra a antidialogicidade e assistencialização da ação opressora. A autenticidade, nos parece, é o tesouro que a educação nos pode revelar. Um tesouro que está enterrado profundamente em nós mesmos e que só tem valor se o gozamos livremente. Além disso, guarda uma característica singular: quanto mais se gasta, mas se tem; quanto mais se divide, mais multiplica. Entretanto, ele só pode ser utilizado de uma maneira: como alforria da ignorância, da falsidade, da massificação.

PALAVRAS-CHAVE: Autenticidade; Educação; Realidade Radical; Ortega y Gasset; Paulo Freire.

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